Bem explícito...
"(...)No caso da crise financeira de 2007, alguns factores instrumentais da crise foram o intervencionismo fiscal (Fannie Mae, Freddie Mac, …) e o intervencionismo legislativo (National Affordable Housing Act, leis anti-discriminação, etc) do governo federal americano – mas também os créditos sub-prime, os derivados financeiros, a “exuberância irracional” dos investidores públicos e privados. Estes factores explicam porque é que a bolha ocorreu no imobiliário, já que a bolha poderia ter ocorrido noutro sector económico. Mas causa primeira da existência de liquidez suficiente para criar uma bolha foi a inflação monetária continuamente provocada pela Federal Reserve. Perceber os fenómenos económico ajuda-nos a não reagir pelo que é mais populista.
Ora, em 2010 o mundo está de novo mergulhado em crise. E de novo muitas análises devem mais à emoção do que à razão.
Sejamos claros. A crise que agora se vive é uma crise de contas públicas. Os sucessivos governos gastaram mais do que conseguiam esbulhar aos contribuintes. Endividaram-se para sustentar o despesismo público. E agora os Estados não têm dinheiro para pagar os juros que se acumulam no “cartão de crédito”.
Esta não é uma crise do mercado, é uma crise de décadas de má governação política – de muitos luxos e poucos sacrifícios, de “direitos” para todos, de faz agora e paga depois. Estão à vista os resultados do Estado a gerir a Economia tão bem como faz com as empresa públicas.
Sobretudo, esta não é uma crise vinda de fora.
O Estado Português no pós-25 de Abril sempre viveu acima das possibilidades. Desde 1973 que o Estado não apresenta superavit orçamental – gastou sempre a mais do que estava cabimentado no Orçamento. A dívida pública atingiu níveis absurdos face à debilidade da Economia portuguesa. E hoje em dia ninguém acredita que algum dia Portugal possa poupar o suficiente para repagar aquilo que deve.
Culpar as agências de rating, agora que não dizem o que queremos ouvir (que não estamos na bancarrota), culpar os maléficos especuladores que já não nos emprestam dinheiro, ou culpar o “racismo” dos mercados (“Portugal não é a Grécia!”) é próprio de caloteiros. É grotesco atacar quem avisa – correctamente – que dia-a-dia mais insolvente fica o país.
Que as agências de rating têm problemas, já o sabemos. Erraram no passado por excesso de confiança - mas nada indica que agora estejam a errar por excesso de desconfiança, antes pelo contrário! É que a pressão política funcionou - os países continuam com ratings muito superiores ao risco aferido pelo mercado - traduzindo, os mercados estão a desprezar a opinião agências de rating! Ora, se assim é, ainda menos razão têm aqueles que alegam que as agências manipulam os mercados. Que os “especuladores” não tenham grande respeito por governantes economicamente iletrados, que sejam assustadiços, e que não gostem de investir em projectos falhados já o sabemos – afinal há quem goste de perder milhões de euros? Que haja generalizações idiotas da imprensa financeira e que aos PIGS devemos juntar a Irlanda, a Bélgica, alguns países de leste e os EUA, entre outros, também é verdade.(...)"
(Hummmmmmmmmmmmm:)
"(...) Mas dívida pública de Portugal não foi causada por essa gente, convenientemente diabolizada num processo de negação que dura há décadas. A dívida pública só atingiu estas proporções preocupantes porque foi continuamente aumentada pelos sucessivos Governos para sustentar a despesa pública do Estado – despesa pública que aliás ainda não parou de aumentar.
Portugal não está só. Todos os países que seguiram um modelo de "desenvolvimento" do tipo keynesiano / social-democrata estão em situações análogas. Sem capacidade de pagarem o que devem. Ou seja, na bancarrota técnica.
Quando a confiança dos mercados na capacidade de pagamento dos Estados está tão abalada como está – e atenção, para honrarem as suas dívidas os Estados podem lançar impostos, imprimir moeda a partir do nada, confiscar riqueza das pessoas – uma panóplia de imoralidades que são o sonho que qualquer inimputável – é seguramente sinal de fim de regime.(...)"
http://magazon.netmadeira.com/categoria/sociedade/artigos/2010/9/10/a-crise-das-contas-publicas
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